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Terapia Dialética Comportamental: uma introdução.

Após a criação da divisão 12 da Associação Americana de Psicologia (APA- American Psychology Association), os terapeutas têm sido estimulados a buscarem por intervenções cujos resultados são favoráveis para a melhora de seus clientes, uma vez que essa divisão tem se dedicado a estudar a eficiência das psicoterapias existentes. Isso, além de demonstrar maior cuidado do profissional para com o cliente no sentido de buscar criteriosamente maneiras de auxiliá-lo, tem trazido contribuições terapêuticas relevantes para o público atendido a partir da fundamentação em critérios de melhora. Dentre as psicoterapias baseadas em evidências citadas pela APA, pode-se destacar as terapias contextuais, sendo uma delas a Terapia Dialética Comportamental (DBT).

Postulada pela Ph. D. Marsha Linehan, entre as décadas de 70 e 80, a DBT reúne procedimentos de aceitação e mudança e visa equilibrá-los apoiada em uma postura dialética. A intervenção segue esses moldes, pois, ao iniciar um trabalho com mulheres cronicamente suicidas, Linehan observou que a intervenção focada apenas na mudança produzia um sentimento de invalidação nas clientes e, quando o foco era destinado apenas à aceitação, comportamentos disfuncionais continuavam ocorrendo. Nessa época, a maioria das clientes se encaixavam no diagnóstico psiquiátrico denominado Transtorno de Personalidade Borderline, o que levou a DBT a ser reconhecida nas intervenções clínicas nesses casos.

Além do tratamento individual, na DBT são realizados os seguintes procedimentos clínicos: grupo de treino de habilidades (normalmente, conduzido por dois terapeutas), consultoria de supervisão de casos (composta por psicólogos que também atendem nos moldes da DBT), consultoria por telefone ao cliente e a utilização, ou não, de tratamentos auxiliares.

Com esses moldes, a DBT conseguiu abranger várias queixas relacionadas a casos considerados graves na saúde mental e, por isso, tem se demonstrado efetiva em pesquisas com clientes que apresentam Transtorno de Personalidade Borderline, Transtorno de Personalidade Bipolar, Transtornos Alimentares, Transtorno Depressivo e Transtorno de Estresse Pós-Traumático.

Ao se demonstrar uma psicoterapia eficiente, a DBT tem sido reconhecida nos estudos de Psicologia Baseada em Evidências e indicada em muitos casos. Apesar de sua eficiência, reconhece-se o fato de que ainda há a necessidade do desenvolvimento de investigações sistemáticas para identificar os seus efeitos em outros transtornos psiquiátricos. Todavia, vale ressaltar que a sua utilização tem aumentado nos últimos anos, principalmente no Brasil. Quanto às evidências clínicas, pode-se afirmar que a DBT funciona e merece credibilidade.

Psic. Ma. Marcela Roberta Jacyntho Zacarin